Dédalo, na mitologia grega, era um grande inventor,
foi ele quem construiu o labirinto que prendeu o Minotauro por muitos anos.
Para sua infelicidade após a morte deste o próprio Dédalo e seu filho Ícaro
foram presos no labirinto que ele havia criado. Havia apenas uma maneira de
fugir do labirinto, e Dédalo criou asas artificiais de cera de abelha e penas
de gaivota. Dédalo avisou a Ícaro que ele não deveria voar muito perto do sol,
pois a cera derreteria. Mas no alto Ícaro não pensou no perigo, tinha muita
adrenalina, voou e subiu mais e mais perto do sol. A cera derreteu e ele caiu
no mar Egeu.
O sonho de ser livre para ir e vir é diametralmente oposto à realidade das grandes
cidades. Somos prisioneiros de sistemas ineficientes de transporte público,
verdadeiros labirintos, e mesmo os que possuem seus próprios meios de locomoção
são vitimados pelos rodízios ou pela própria insegurança que o modelo
rodoviário proporciona. Dentro dos seus veículos as pessoas se sentem imortais,
dirigem como loucos e se sentem poderosos. Causam acidentes, dirigem
embriagados. E o fim é trágico, como o de Ícaro.
Será que os homens serão capazes de criar modelos
sofisticados de transporte viário? Muito já foi feito nesse sentido nos últimos
séculos, e muito ainda pode ser feito. Os Dédalos modernos não param de
trabalhar. E os Ícaros querendo voar mais e mais alto. De fato existem milhares
de pessoas que se comportam muito bem no transito e nos transportes
públicos. Mas infelizmente os abusos e assédios continuarão. Não vale a pena criar modelos mais
modernos sem educar a
população.
Se você vai ser paciente, que seja no
trânsito.
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